O resto da tarde passou
como um borrão. Me recordo apenas de chegar em casa com mil pensamentos
colidindo em minha mente, subir as escadas depressa e me atirar na cama,
para somente me levantar de novo dali a algumas horas. Em meio a todo o
choque e a todas as perguntas ainda não respondidas, das quais somente
uma possuía resposta possível, fui capaz de reunir forças para ficar de
pé e rastejar até o banheiro. Um longo banho ajudaria a clarear minha
mente, a relaxar, e principalmente, a me fazer sentir limpa após toda a
sujeira que Andrew havia despejado sobre mim ao revelar suas mentiras do passado.
Tudo ainda era demais para assimilar.
Se ele realmente estava dizendo a verdade, se ele realmente é pai de Ben, então... Eu havia sido culpada pelo que
Edward estava enfrentando ao decidir lidar com a suposta paternidade e
teria que enfrentar ao descobrir que tudo aquilo era uma farsa, tramada
pela própria prima e atestada como verdade pelo melhor amigo.
Por mais que eu soubesse que também havia sido enganada, assim como
todo o resto da família, e não tinha como sequer imaginar que tamanho
absurdo poderia ter acontecido, por mais que soubesse que em momento
algum agi de má fé, que apenas segui o que acreditava ser certo... A
culpa ainda pesava sobre meus ombros.
E se Andrew estivesse falando sério? E se fosse mesmo verdade? Como contar a Edward?
Ele perderia o controle, eu sabia que sim. Se eu ainda o conhecia
tão bem quanto imaginava, seria difícil conseguir contê-lo, impossível
impedi-lo de atacar os responsáveis por tamanha traição e pelos anos de
culpa reprimida. Ele ficaria arrasado.
Talvez me odiasse por tê-lo feito repensar suas decisões...
Outro fator preocupante era que, sem dúvida, ele havia se apegado a
Ben, pelo menos um pouco, e o menino, a ele, também. Ainda que meu
coração doesse por Edward, minha maior preocupação era o estado em que
aquela criança ficaria diante de tamanha confusão. E a culpa era toda de
Emily e Andrew.
E, em parte, minha.
Já havia anoitecido quando enfim saí do chuveiro, ainda pior do que
quando havia entrado. Ao menos, uma certeza agora eu tinha: eu precisava
saber a verdade, e tomar a decisão certa dessa vez, qualquer que fosse o
preço a pagar por isso.
Estava enrolada na toalha, procurando por um pijama em meu
guarda-roupa, sem energia nem para acender as luzes, apesar da relativa
escuridão, quando a campainha tocou. Meu coração quase parou ao imaginar
quem poderia ser àquela hora, e imediatamente pensei em Andrew. O medo
que agora acompanhava sua presença se instaurou em meu peito com força
total, ainda que eu tivesse plena noção de que precisava dele para
comprovar a veracidade de sua história; me esgueirei até a janela,
tentando ver quem estava parado à porta sem ser vista, e meus joelhos
quase cederam ao identificar o visitante inesperado.
Sem qualquer outro sentimento a não ser o alívio e a surpresa
imensos que corriam em minhas veias, desci correndo os degraus, e com a
mesma pressa, abri a porta, deparando-me com o principal assunto de
minhas preocupações parado sobre meu tapete de boas-vindas.
Nossos olhares se encontraram de imediato, e permaneceram conectados
até o instante em que ambos nos demos conta de que um de nós estava
parcialmente nu. Engoli em seco, morrendo de vergonha por ter me
esquecido completamente daquele detalhe assim que o reconheci da janela
do quarto. Edward, por sua vez, apenas deixou seus olhos viajarem por
minhas pernas expostas, e rapidamente pigarreou, voltando seu foco para
meu rosto, agora furiosamente vermelho.
– Oi – ele murmurou, claramente distraído com a recepção indecente.
– Oi – ofeguei de volta quando consegui encontrar minha voz. Alguns
segundos de silêncio caíram sobre nós, durante os quais nos encaramos
intensamente, com incontáveis emoções ardendo em nossos olhos, até que
consegui retomar o controle e agir.
– Entra.
Edward hesitou um pouco antes de obedecer, com o maxilar travado,
feito um morto de fome diante de um banquete do qual não lhe era
permitido desfrutar.
– Eu vou... – comecei, apontando para o andar de cima, e antes que
eu pudesse me envergonhar ainda mais, ele assentiu com veemência,
indicando que havia entendido perfeitamente, e que concordava em gênero,
número e grau com minha decisão de me vestir.
Corri de volta para meu guarda-roupa, colocando as primeiras peças
comportadas que encontrei e penteando meus cabelos ainda úmidos
depressa. Eu estava longe de estar apresentável, mas não havia tempo a
perder; ele me esperava na sala, provavelmente tentando não se lembrar
das partes de meu corpo que não esperava ver, e eu não pretendia
desperdiçar um segundo de sua presença.
Voltei ao andar de baixo, ainda me xingando mentalmente, e o
encontrei sentado no sofá, olhando fixamente para a parede oposta e
parecendo um tanto transtornado. Não pude deixar de sentir pena, e ao
mesmo tempo, uma vontade incrível de rir.
– Sinto muito... Por... Você sabe – falei, anunciando meu retorno, e
ele me lançou um breve olhar contido antes de negar com a cabeça.
– Tudo bem.
Não, não estava tudo bem. Estaria tudo ótimo se eu ainda estivesse
seminua, e você também. Estaria tudo maravilhoso se eu não tivesse
estragado tudo ao impeli-lo a se redimir por sua negligência e assumir a
paternidade de uma criança que poderia não ser sua.
Resumindo: definitivamente, não estava tudo bem.
– O que você está fazendo aqui? – indaguei, tentando esquecer de uma
vez por todas o infeliz incidente de alguns minutos atrás – Aconteceu
alguma coisa?
Edward adotou a mesma postura, e a seriedade em seu rosto me preocupou.
– Aconteceu – ele respondeu, implacável – Emilly me ligou.
Arregalei levemente os olhos, incrédula por ela ter sido capaz
disso, e ao mesmo tempo frustrada por não ter previsto que ela seria
capaz disso.
– Eu já devia saber – resmunguei, cobrindo parte do rosto com uma mão – Ela te contou sobre Andrew, não foi?
– Sim, porque sabia que você não o faria.
Franzi a testa, estranhando sua atitude ressentida.
– E por que eu deveria te ligar? Para colocar ainda mais problemas
em sua cabeça, problemas que, pra começar, nem são realmente problemas, e
que não lhe dizem respeito?
– Gabriella, como você pode pensar dessa forma? – ele respirou fundo, inconformado com minha teimosia – Mas é claro
que você deveria ter me ligado, assim que aquele idiota foi embora! Eu
também tenho uma parcela de culpa por seu retorno, e uma parcela
generosa, por sinal. Além do mais, não percebe o risco que ele pode
representar, ainda mais estando sozinha pelo resto do fim de semana?
Bufei, irritada com sua preocupação excessiva. Por que Emilly teve de contar tudo a ele? O retorno de
Andrew deveria ter ficado em segredo até que eu descobrisse a verdade.
No momento certo, eu contaria tudo a ele, mas não antes de certificar a
veracidade dos fatos.
– Pelo amor de Deus, ele só quis me assustar! – rebati, frustrada
por ter que esconder tanto dele – Você não precisava ter vindo até aqui
para isso, eu vou ficar bem.
– Você não entende, não é? – ele insistiu, dando um passo em minha
direção – Ele perdeu completamente a noção de tudo. Ele te seguiu! Se
isso não grita perigo para você, quase estoura meus tímpanos! O Andrew que eu conhecia jamais faria uma coisa dessas... Sabe-se lá do que mais ele é capaz!
Sua irritação crescente e despropositada estava começando a me
afetar. Se ao menos eu pudesse explicar o que realmente estava
acontecendo... Mas ainda não era o momento. Não podia ofendê-lo daquela
forma, contando uma história tão mirabolante e possivelmente falsa. Além
do mais, se ele já estava surtando com o que sabia, se sequer sonhasse
que me encontrei com Andrew a sós, acabaria tendo um colapso nervoso no meio da sala.
– O que você acha que ele vai fazer? Invadir minha casa e me sequestrar? Faça-me o favor!
– Eu já entrei aqui sem ser convidado, o que o impede de fazer o mesmo?
– Edward, seja sensato, pelo amor de Deus! – pedi, avançando dois passos em sua direção – Ele não vai me machucar.
– Como pode ter tanta certeza? – ele indagou, recusando-se a ceder –
Eu fui amigo dele por anos e não sei o que esperar dele. E você, sabe?
– Não, eu não sei! – exclamei, cada vez mais tomada pelo calor da
discussão – Mas tem uma coisa que eu sei, e é o número de telefone da
polícia. Se ele sonhar em tentar qualquer coisa absurda, vai parar na
delegacia na mesma hora!
Edward sustentou meu olhar com determinação, ainda disposto a
rebater meu argumento, mas após alguns segundos, apenas suspirou
profundamente e abaixou a cabeça, balançando-a negativamente em seguida.
– Me desculpe – ele murmurou, depois de um breve silêncio – Eu não queria... Eu não queria brigar com você.
Minha raiva momentânea se esvaiu por completo ao ser pega de
surpresa por sua mudança de atitude. Ele só estava preocupado comigo...
Tão preocupado que dirigiu por horas só para ter certeza de que eu
estava bem. Uma pontada de remorso surgiu em meu peito.
– Nem eu – confessei, ainda que meu tom guardasse resquícios de irritação em meio à compreensão.
Edward ergueu a cabeça novamente, examinando minha expressão.
– Como você está?
Dei de ombros, sem saber o que dizer. Havia sido um longo e péssimo
dia, e eu adoraria acordar daquele terrível pesadelo muito em breve e
descobrir que tudo continuava como antes de Andrew reaparecer, pelo menos.
– Vou ficar bem – disse apenas. Obviamente, não foi o bastante.
– Claro que vai – ele concordou, esboçando um sorriso encorajador – Mas enquanto não fica, pode falar comigo.
Suspirei profundamente, tentando com todas as minhas forças não me
deixar atingir pelo cuidado que ele demonstrava ter comigo. Já era
difícil o bastante estar perto dele sem poder tocá-lo, será que ele não
percebia que era ainda pior ser paparicada por ele na situação em que
estávamos?
Será que ele poderia parar de me fazer querer tanto um mísero abraço
dele, por mais breve que fosse, só para ajustar o eixo de minha vida e
colocá-lo de volta no lugar certo?
– O que você quer que eu diga? – perguntei, sentindo meus olhos
arderem e minha visão ficar gradativamente embaçada – Que foi horrível?
Que eu preferia nunca tê-lo conhecido? Que eu realmente estava começando
a achar que ele havia desistido de infernizar a minha vida, mas
infelizmente, nem tudo acontece de acordo com a nossa vontade?
Ele apenas observou, com o olhar penalizado, enquanto eu desmoronava
aos poucos diante dele. Os meses de distância estavam começando a me
afetar, e o stress inesperado que Andrew causara havia triplicado o peso da carga sobre meus ombros.
– Eu só queria que ele sumisse, que me esquecesse de uma vez por
todas... Só de me lembrar do quanto eu o amei, do quão importante ele
foi para mim... E saber que foi tudo em vão... Dói muito. Já se passaram
meses, mas eu nunca realmente lidei com a ideia de que ele
provavelmente nunca me amou, que eu provavelmente nunca signifiquei nada
para ele... Como eu posso ter me enganado tanto? Como ele pode ser
esse... Monstro?
Escondi meu rosto, agora coberto por algumas lágrimas nervosas que
não consegui conter, em minhas mãos, para me recompor, e senti que ele
se aproximou, ainda em silêncio. Respirei fundo algumas vezes, de olhos
fechados, até que seus braços me envolveram e ele me puxou para perto de
si. Mal pude acreditar que aquilo realmente estava acontecendo; somente
quando seu perfume me atingiu, constatei que, de fato, era real. Edward estava mesmo ali, e estava me abraçando.
– Eu sinto muito – ele murmurou, acariciando o topo de minha cabeça com uma das mãos – Por tudo.
Permaneci imóvel em seu abraço apertado, incapaz de reagir. Ele sabia exatamente o quanto
Andrew havia me ferido, sabia que eu precisava de apoio, ainda que
insistisse em recusar sua ajuda. A saudade era esmagadora demais, cruel
demais para que eu ousasse me mover e correr o risco de voltar à
realidade hostil, agora que eu estava blindada por seus braços ao meu
redor. Desejei que aquele momento durasse para sempre.
Por um período, que me pareceu imensurável, de tempo, permanecemos
abraçados, nos comunicando muito melhor através do silêncio e do toque
do que por meio das palavras e da distância, como sempre havia sido.
Quando nos afastamos, meus olhos já estavam secos, e eu havia recuperado
o controle sobre minhas emoções, embora ainda tivesse certa dificuldade
para raciocinar devido às mãos dele, que descansavam sobre meus braços,
como se ele temesse que eu pudesse quebrar se me soltasse.
– Você não está sozinha – ele disse, em tom carinhoso, com um
sorriso (por mais maravilhoso e doloroso que fosse admitir isso)
completamente apaixonado – Eu vou estar sempre do seu lado, aconteça o
que acontecer.
Resistindo bravamente a todos os impulsos que me imploravam para
beijá-lo e esquecer todo o resto, assenti, sorrindo fraco, porém
sinceramente.
– Obrigada – falei, com a voz rouca.
Nossos olhares permaneceram intensamente ligados por um instante,
antes de o dele cair para meus lábios, e ali se demorar brevemente antes
de retornar para o meu.
– Deixe-me ajudá-la – ele pediu, sério – Você não tem que lidar com isso sozinha.
Desviei os olhos, temendo que ele encontrasse algo que não deveria neles.
– Como você pretende me ajudar?
– Eu posso procurá-lo... Tentar convencê-lo a desistir dessa ideia
maluca de te perseguir. Por favor, qualquer coisa. Só não me deixe
assistir a esse pesadelo sem poder fazer nada para acordar.
Ponderei sua súplica, sem saber o que dizer. Não havia nada que ele
pudesse fazer por mim no momento; tudo o que eu precisava era provar que
Andrew estava sendo sincero, e então ele poderia saber.
E então, estaríamos livres.
– Confie em mim. Vai ficar tudo bem.
Ergui meu olhar até seu rosto novamente, e tudo que vi foi uma relutância pesarosa.
– Quando me disse isso pela última vez, você acabou desacordada no
meu carro – ele observou, determinado a me fazer reconsiderar – Não
pretendo cometer o mesmo erro.
Engoli em seco, lembrando-me de minha conversa a sós com Andrew em seu apartamento. A mera lembrança do pavor que senti naquele dia me causou arrepios.
– Por favor – pedi, encarando-o com firmeza – Eu agradeço a sua
preocupação, mas... Deixe-me lidar com ele. Eu sei o que estou fazendo.
– Por favor, digo eu – ele insistiu, praticamente de joelhos – Não me peça o impossível.
– Edward... – suspirei, repousando uma de minhas mãos sobre seu
peito para reforçar meu desejo de ter minha vontade respeitada – Você
não pode lutar minhas batalhas por mim. O que ele mais quer agora é me
assustar, e se eu permitir que você aja em meu lugar, só estarei
encorajando-o a continuar. Não vou dar esse gostinho a ele.
Enquanto eu falava, ele fechou os olhos, concentrando todos os seus esforços em controlar sua angústia.
– Eu não confio nele... Não vou conseguir te deixar sozinha sabendo
que ele pode estar lá fora nesse exato momento tramando algo contra
você.
Ainda que sua voz estivesse mais contida, o desespero latente em
suas palavras era nítido. Sem saber mais como lidar com sua fixação,
sugeri a única solução que satisfaria ambos os lados.
– Então não me deixe sozinha.
Edward franziu a testa, me olhando como se eu tivesse criado uma segunda cabeça.
– O quê?
– Fique... Pelo menos por hoje. Você já dirigiu demais. Não posso deixar que saia daqui nesse estado.
Deixei que minhas palavras fossem assimiladas antes de completar meu
pedido, fazendo o que sabia fazer de melhor: usando suas palavras
contra ele.
– Quando te deixei dirigir com a cabeça tão cheia pela última vez,
você acabou num hospital com um curativo na testa. Não pretendo cometer o
mesmo erro.
Por mais tenso que estivesse, ele não pôde deixar de soltar um
risinho fraco ao se lembrar da ocasião a que me referia – assim que
finalmente conseguiu esboçar alguma reação, claro. Meu pedido havia sido
inesperado demais, até para mim, mas agora que a possibilidade existia,
eu faria de tudo para que ele aceitasse meu convite. Tê-lo por perto,
nem que por algumas horas, era uma chance que eu não podia desperdiçar.
Ele considerou minha oferta pelo que pareceu uma eternidade, até enfim
se manifestar.
– Se isso for só um plano seu porque, no fundo, está com medo de que
Andrew invada sua casa da mesma forma que eu fiz, e pretende me torturar
para revelar como entrei... Fique sabendo que levarei este segredo para
o túmulo – ele respondeu, com um sorriso divertido.
Revirei os olhos, empurrando-o de leve e rindo também.
– Vou entender isso como um sim – falei, lutando para conter a
alegria gigantesca que só crescia dentro de mim ao vê-lo dar um sorriso
sincero pela primeira vez em três meses e meio, um sorriso só para mim.
– Entenda isso como “espero que seu sofá seja confortável o bastante
para dormir”, seguido de “espero que você tenha cereais matinais no
armário da cozinha”, ou então, nada feito – Edward rebateu, nitidamente tão feliz quanto eu pela oportunidade de passarmos algum tempo juntos.
– Vai sonhando que eu vou dividir meu Froot Loops com você, Styles!
– Claro que não, vou comer tudo sozinho enquanto você dorme.
Mostrei a língua, mais infantil impossível, e ambos rimos de nossa
idiotice, extasiados demais com a trégua que parecia haver suspendido a
tensão exaustiva entre nós, e aliviados por podermos apenas agir
normalmente, ou pelo menos quase.
– Vou buscar seu travesseiro e cobertor – avisei, seguindo em
direção às escadas. Quando estava na metade do caminho para o andar de
cima, a voz de Edward me deteve.
– Obrigado.
Desci alguns degraus para poder olhá-lo, e o sorriso que ele me deu
quase me fez rolar os degraus restantes e cair estatelada no chão.
– Pelo quê? – gaguejei, segurando firme no corrimão. A resposta
demorou a vir, como se tivesse requerido muita reflexão, ainda que fosse
um tanto óbvia demais.
– Por me deixar ficar aqui essa noite.
Franzi a testa de leve, intrigada. Ele parecia tão grato por um
motivo tão simples... Aquele não era seu verdadeiro motivo para
agradecer, ou pelo menos não o único.
– Não precisa agradecer – foi só o que pude dizer, com um sorriso
igualmente sincero, reprimindo minha curiosidade diante de seu súbito
comportamento enigmático e subindo as escadas.
Eu não precisava perguntar, pois já sabia a resposta. Como poderia não saber, se me sentia da mesma forma em relação a ele?
Obrigada por existir, pensei, retribuindo mentalmente seu sentimento.
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